Muito se tem falado da curva, do apoio (ou falta dele), da falta de “mentalidade”, de sentimento, de organização e de liderança.
Quando se anda em algo há algum tempo, o mínimo que podes retirar dessa experiência são as consequências dos erros (dos teus e se conseguires aprender com os erros dos outros perfeito!), a previsibilidade de alguns comportamentos, os benefícios e malefícios que podem decorrer de determinadas atitudes e principalmente começas a carregar contigo uma responsabilidade e capacidade de defesa imediata (neste caso, de um grupo).
Não que tenhas pedido a responsabilidade, não que te a tenham dado ou obrigado a ficar com ela, mas porque moralmente a vais adquirindo, porque gostas e defendes aquilo de que gostas sem pensar, porque acompanhas e afeiçoas-te, porque te sentes mal se não corre como queres, porque é uma vitória tua se tudo corre bem.
Ás vezes nem te lembras que falas de um grupo, de um conjunto de pessoas que são todas diferentes, que pensam e agem de maneiras diferentes, podem ter culturas semelhantes ou mesmo muito divergentes e vários pontos que diferem no decorrer das suas atitudes. Até podem ter uma percepção muito diferente do que é certo e do que é errado (e aí complicar mais ainda as coisas) mas se houver sempre a humildade de admitir que não fazes nada sozinho, que precisas sempre do parceiro para fazeres algo, tudo pode correr melhor.
Os DV já passaram por várias fases, muitas pessoas por lá já passaram também, já tiveram vários tipos de organização, já tiveram muita e pouca gente, já foram odiados e adorados no panorama ultra nacional, já se ouviram e fizeram ouvir, já fizeram um silencio de invejar qualquer cemitério mas têm continuado.
Quando se fala em liderança, líder, presidente, chefia acho que não separam muito os conceitos. A liderança é um processo que talvez vise tentar conduzir um grupo de pessoas, tentar moldá-lo, adaptá-lo numa equipa, num conceito de interacção pura para gerar resultados que sejam obviamente favoráveis. É talvez uma habilidade, uma capacidade, que nem todos têm oportunidade de adquirir mas que deve levar à motivação e ao influenciar das pessoas, de forma positiva para que todos contribuam a titulo voluntário e com entusiasmo para alcançar os objectivos da organização, do grupo. Acho que é muito diferente de chefia, de chefe porque (pelo menos para mim…) este tem autoridade para mandar, para debitar, para exigir uma determinada obediência.
Posso com modéstia e humildade admitir que já me senti um líder nos DV. Talvez porque o agir sem pensar sempre me caracterizou, talvez porque sempre debitei os meus comportamentos tendo em conta só e apenas os meus gostos e nunca medindo as consequências dos meus actos perante os outros. Não querendo de todo dizer que este comportamento é o correcto…!
Para mim, cada um tem responsabilidade na representação de um grupo. Não há salvador nem salvados, nem “culpadores” e culpados. Cada uma das pessoas que vão para lá têm que ter responsabilidade e capacidade de ver que depende só delas as coisas melhorarem e não de um único individuo.
Muitas vezes a entrega de autoridade e liberdade a uma só pessoa para conduzir um grupo cria insatisfeitos (muitos até) e também cria um só responsável por todos os males. E se formos todos responsáveis por aquilo que fazemos? E se tivermos todos o mesmo objectivo e mesmo que sejamos pessoas diferentes conduzirmos o barco para o mesmo porto? Não vos posso exigir que gostem tanto como eu, não vos posso exigir que vos doa as mãos no fim do jogo ou que vão para casa sem voz, não vos posso pedir para terem orgulho e defenderem um símbolo com 27 anos, não posso partir a cabeça de ninguém e colocar aquilo que falta em muito lado: Mentalidade.
A mentalidade aprende-se, adquire-se, com hábito, com experiência, com convivência mas também pode ser um tanto inata, pode ser uma forma natural, uma maneira habitual de pensar num determinado assunto, uma maneira de ver as coisas que acaba por ser comum a um determinado grupo, que acaba por unir de qualquer forma esse grupo e rege a maneira de pensar, opinar e agir de algumas pessoas (desse grupo) para chegar a um objectivo comum. O meu objectivo é levantar, crescer, mostrar o quanto gosto do Benfica através da minha voz, do meu apoio incondicional e o vosso? Eu não o faço sozinho, não quero mudar ninguém nem obrigar ninguém a fazer aquilo que não quer. Cada um de nós é livre e tem que saber comportar-se na bancada. Eu não sou mais ou menos importante porque estou presente há mais anos, eu não faço nada sozinho e também passa pelas vossas mãos levar os Diabos para aquilo que consideramos importante.
Tem que saber qual é a sua “função”, tem que se integrar naquele ambiente, tem que cantar até que a voz doa, tem que puxar por quem os move, têm que deixar a inveja de lado e assumir aquele papel com orgulho e com o amor e responsabilidade que assumem outros, tem que ter a capacidade que tudo também passa pelas suas mãos, pela atitude que tem, tem que admitir que aquilo não é sitio para estar sentado no engate, não é sitio para afirmar virilidades nem para mostrar vergonhas. É um sítio de amigos, de companheiros que mesmo que não se conheçam tem alguns objectivos em comum, porque têm a mesma mentalidade.
Saudações ultras